quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Avaliando a avaliação


Uma folha na mesa e uma caneta. Regras que misturam honestidade e confiança. Um relógio. Uma nota. Uma sentença. Para muitos alunos, (despreparados, nervosos ou astralmente condenados a um dia ruim), as salas de aula, lacradas para uma prova, podem parecer um momento de tortura. Um teste, que em gênese tenta mensurar as habilidades de um candidato sobre determinadas questões, pode algumas vezes ser uma mini-viagem ao sofrimento. E é.

Não que eu levante a bandeira dizendo que os testes são os únicos responsáveis da ignorância nacional, mas eles são uma forte testemunha de acusação contra o fracasso do modelo educacional atual. Esse discurso que reprova à prova tradicional ganha força, encontra adeptos, mas não passa disso: um discurso reprovador. Caminha entre os lábios dos inconformados e fica ali parado, naquela dança, sem mover-se. 

A maior virtude de quem tem coragem é o ato de praticá-la. Sair do confortável ambiente de quem se guarda ao direito de apenas criticar. Quarta-feira eu fui convidado a um novo modelo de avaliar minhas habilidades. Eu, modestamente, classifiquei a avaliação de quarta como subversiva. E classificá-la em uma única palavra pode parecer prepotência da minha parte, mas classificá-la em qualquer outra palavra e não classificá-la em nenhuma pode ser um crime contra a incapacidade léxica de definir um momento ímpar, como esse, na educação.

O método simples e profícuo, que é derramado em uma folha de papel em branco, desliza, silenciosamente, acompanhando a evolução dos candidatos que passam a trabalhar em grupo, elaboram questões (verificando assim sua capacidade em absolver o assunto, e não somente respondê-lo de maneira robótica. Surgindo assim uma troca recíproca de questões entre os grupos) e também as respondem. Antes que o ponto final silencie minhas palavras, quero afirmar que o novo método avaliativo está longe de ser perfeito. Fico mais feliz por ele não o ser. Afastá-lo da perfeição não é afastá-lo da sua eficiência; não é afastá-lo do seu caráter inovador, corajoso e perturbador; é afastá-lo da covardia presente na retórica que ganha voz e vez pedrificante na garganta dos que carregam Paulo Freire como um guerrilheiro e o mantém preso na estante. Afastá-lo da perfeição é exaltá-lo por exigir do candidato competências da vida real, e não simplesmente habilidades presas à caneta e ao papel.

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