sábado, 20 de agosto de 2011

Enlutado presente

A sola dos pés queima sob o cálido chão de cera, e os pés não o tocam. As vozes gritam na cabeça que parada, roda, indo e vindo do passado ao presente, do começo ao fim. As repetições da mesma cena, as tentativas inúteis de alterações naquela rouca retórica louca. O fim que ninguém pode mudar. O passado vivo no presente. A porta batida. O som do seu baque surdo. O incomodante silêncio. A solidão que se recusa a se fazer presente. O medo que amordaça.

Durante o incontável saber aquilo persiste feroz seu interior, transparecere na outrora iludida face alegre. O sorriso amarelado se esconde pelas duras lágrimas amargas. O quarto inundado pela dimensão sentida do abandono. Como uma torneira aberta que escorre sem fim. E em cada lágrima que se vai aquele sentimento se perde no vazio para nunca mais voltar. Para nunca mais voltar.

2 comentários:

  1. Nossa, que texto perfeito. Lindo mesmo.. Me prendeu do início ao fim. Você tem talento.
    http://lollyoliver.wordpress.com/

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  2. é não sou fã de poesia mas se tem um estilo legal meio triste mas legal

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