sábado, 24 de setembro de 2011

Encíclica machadiana


A Terra gira em torno do Sol. A voz de Ptolemeu não pode mais discutir ou mudar esse postulado universal e Heliocêntrico, ela já não é mais ouvida: a voz caduca, arbitrária e dogmática se calou. A literatura brasileira gira em torno de Machado de Assis. Uma simples e perfeita analogia. Indubitável. Somos todos filhos órfãos do mais brilhante escritor nacional, aquele que está patamares insuperávies acima de todos os outros nomes irrisórios de nossas letras. Machado de Assis. Machado de Assis. Machado de Assis. Como em uma trindade.

Por que a histeria, a incredulidade e a indignação com essa afirmação? Por quê?

Diante da balbúrdia transbordante, uso as palavras desaforadas de Nietzsche para o peso encíclico desse texto: "É preciso defender os fortes contra os fracos." Machado não precisa da minha retórica falha, da minha mais brilhante defesa, das mais brilhantes e irretocáveis defesas que provavelmente venham a surgir no quase continental país dos bachareis (mas ainda a faço usando a famosa frase de Nietzsche): sua obra transcendental supera qualquer crítica medíocre, qualquer vão esquecimento, todas as páginas que o sucedem, em anos e anos de letras escritas aqui.

No mesmo altar em que Shakespeare, Homero, Cervantes e Camões estão, Machado está: as mesmas vozes intelectuais que os beatificam, canonizam Machado. Há velas para celebrar todos esses gênios. Machado é a nossa estrela de quinta grandeza. É incomparável, embora os modernistas, para firmar seu movimento, negaram a obra machadiana ou a esconderam na tentativa de livrar o Brasil de um atraso secular, seus escritos reverberam. São vozes que não se calam.

Pode, em nossa Via-Láctea, Plutão superar o Sol? Marte? Júpiter? Saturno? Se comparados ao Sol, não estão todos em uma demasiada capacidade inferior? Mesmo que atirem chamas na história das letras no Brasil e a desaparecam para todo o sempre, Machado de Assis estará lá, impávido, heroico: ele é nossa Estrela Polar. Qualquer voz rouca que teime contra esta setença está fadada ao fracasso por um único e simples motivo: sempre iremos girar em torno do talento insondável de Machado de Assis.

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