quarta-feira, 20 de julho de 2011

Os lábios de um mesmo sorriso

Quando está chovendo eu quero calor, quando a temperatura sobe, quero um frio daqueles! Bbbbruu! Sou impreciso como a precisão que tomamos das falhas das previsões do tempo, ou como os pés descalibrados dos jogadores de domingo. Falo bibliotecas, quando uma palavra resumiria todo o sentimento descalibrado, impreciso. Entro no mato com cachorros, e me perco. Eterno sentimento de insatisfação humana (eufemismo para egoísmo?). Vou ao espelho e me surpreendo com a criança que se reflete ali: os hormônios não se cansam em me deixar barbudo, desleixado e envelhecido; eu não me canso de ver uma criança pequena, curiosa, boba – não usei o termo criança de uma maneira qualitativa, usei como a realidade de alguém que vê o tempo passar sorrindo, com a mesma insegurança de tempos atrás.

Quando eu descer do navio, você estará no cais a me esperar? 
Quando você pedir ajuda, será que eu vou ouvir?
Quando eu estiver bem longe do seu lado, será que você vai sentir?
Quando nossos olhares se cruzarem, será que vamos nos reconhecer?

Quem canta seus males espanta. Quem, como eu, não encanta quando canta; canta para, no mínimo, deixar o tempo curto correr, deixar os próximos distantes e aproximar o sentimento longínquo do lado esquerdo do peito para os lábios.

Para que servem as escamas dos peixes? Servem para pergunta da prova da bio ou o logia da proteção varia conforme a espécie? Para que servem as armas abastecidas de balas sem direção? Serve desproteger quem precisa de proteção? Para que se bombeia um coração que não está aberto para o amor? Serve viver sem amor? Para que servem palavras que não dizem nada? Serve sorrir sem alegria? Quantas palavras usamos tentando disfarçar o que sentimos? Serve ver e não crer? Para que serve o dom de falar se há na ponta da língua palavras que nunca serão despejadas, que nunca rolarão goela para fora, que nunca atingirão o alvo? Para que serve o alvo se nunca se tenta acertá-lo? Servem dardos dorminhocos, intocados?

Passamos vidas de mais ouvindo o disco errado: cansando a vitrola. Passamos vidas de mais lendo o livro errado: deixando na poeira os versos ou parágrafos para toda uma vida. Passamos vidas de mais no lugar errado: esperando o inesperado, quando o prudente é buscá-lo. Passamos vidas de mais sozinhos no meio da multidão: bastaria sua alma para completar a minha. Passamos vidas de mais querendo a pessoa errada, quando a princesa ou o príncipe estão do nosso lado, a nossa espera. Passamos vidas de mais até perceber que a vida é a antiga inimiga da perfeição.

Ser imperfeito é condição de tentar ser feliz. A eternidade está situada em um corredor sem fim.

Não quero ser um mentor, não quero ensinar, quero ser aprendiz, muito mais por uma condição sem fim que por orgulho intelectual.

Passo dias, que são anos, lendo a vida de vidas já vividas – como uma criança pequena, curiosa e boba – enquanto você rele romances intermináveis e inéditos

Músicas certas, shows errados. Em quais curvas retas, vou me encontrar contigo e tu se encontrarás comigo? Rostos que se vêem no espelho, vidas que se cruzam: pretérito e presente.

Têm coisas que só as palavras conseguem descrever, outras só o coração.

2 comentários:

  1. Não existe nada que o coração não consiga descrever, mas as palavras nem sempre conseguem :)

    Abraços :)

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